terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Breve história do casamento

Defender que romances casuais são melhores que o casamento me parece tão sensato quanto dizer que as conversas casuais que se tem com vendedores de sorvete são melhores que a amizade de dois melhores amigos. Tenho visto muitas pessoas fomentando a ideia absurda de que o sexo sem compromisso é melhor que o compromisso sem sexo - que é a basicamente a ideia que hoje se tem sobre o casamento. Na verdade, conheço muitas pessoas que parecem acreditar que o sexo sem compromisso seja uma prática estritamente contemporânea, mas a verdade é que é tão antiga quanto a antiga Roma. É verdade que muitos de nossos avós se casaram obrigados, mas também é verdade que muitos deles desprezavam o casamento da mesma forma que nossa geração o despreza; e foram eles que se casaram pela própria vontade.

Explicar por que, ainda hoje, as pessoas se casam é muito fácil, apesar da tão comum e supostamente atual hostilidade à essa velha tradição humana. E a explicação é essa: a humanidade sempre foi inteligente e irracional o bastante para ouvir seu próprio coração, e a linguagem do coração é o amor. Os defensores do sexo sem compromisso nada mais são que pessoas que acreditam que o amor não compensa. Por isso, adotam uma filosofia de combate ao amor promovendo a frieza da alma e condenando qualquer tipo de união duradoura. Mas essa é a batalha mais sem sentido em que as pessoas eventualmente se envolvem, porque o amor não é um ornamento para iluminar alguns momentos de nossa vida: ele é a ponte em que andamos durante a vida inteira, e negá-lo equivale a cair da ponte.

Quando isso acontece, temos duas escolhas: permanecer no rio em que acabamos de cair ou permitir que nos puxem de volta para cima. Os que voltam à ponte logo estarão usando alianças douradas, e os que permanecem no rio pensarão que estão em uma festa em alguma piscina, até chegar o momento em que descobrirão que hora ou outra  a água fria torna-se insuportável. É exatamente isso que a humanidade descobriu séculos atrás, e que alguém descobrirá em alguns minutos; e novamente em algumas horas.

Mergulhar em águas refrescantes cercado por estranhos pode ser uma diversão cotidiana da juventude, mas aquecer-se no abraço aconchegante de quem amamos é a própria felicidade alardeada por todas as gerações de poetas. Deixei de me preocupar com as pessoas que rejeitam o amor assim que percebi que logo elas o redescobrirão. Nossos avós e todos que nos antecederam provam que foi sempre assim. O garoto que hoje promete para si mesmo que nunca irá se comprometer é o homem que amanhã promete a uma mulher que a fará eternamente feliz. Eis a milenar história do casamento.


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